Segunda-feira, 13 de Julho de 2009

Então é assim que anda sendo. Cheia de trabalho. Rodeada de pessoas. Ocupada com a arrumação e a décor do apartamento novo.
E pela primeira vez em um mês, passei uma noite sozinha. E fiz o que sempre faço quando isso acontece, pensei um monte pra variar. E fiquei terrivelmente vazia e triste.
Pensei na existência, como sempre. Questionei.
E concluí que sim, que eu me tornei uma formiga.
Por mais que eu tenha vontade de assistir “Into the wild” setenta vezes seguidas – justamente por admirar aquele desapego do Supertramp – sei que jamais seria capaz de algo parecido. Saulinho que diz que nosso problema [diante do fato de não sermos formigas comuns, muito menos vagabundos iluminados true],sempre foi o materialismo. Ah, eu tenho que concordar.
A única diferença entre mim e todos eles é que sou uma formiga consciente. Diante da minha sobrevivência eu tive uma escolha. Seguir meus “idealismos” [?] ou atender meus apelos materiais e eu escolhi sem ter muita escolha [e isso ficou esteticamente muito ruim] pela segunda opção.
Porque claro, você sempre vai poder abandonar seu carro, queimar seu dinheiro e ir pro Alasca.
Mas por enquanto eu só quero pagar minhas contas, decorar meu apartamento e ter dinheiro para jantar no japonês.

Simples assim. Sucks just like this.
That’s life. Just live it. She will kill ya anyway. Someday.
Not now.

Quarta-feira, 8 de Julho de 2009

Das coisas que não cansam.

“Ontem, caminhando pela beira do rio, eu pensei que, se desse dois passos e um impulso no corpo, em breve tudo estaria terminado. Olhei para a rua também, e aqueles automóveis que passavam zunindo ofereciam uma morte fácil e rápida. Aqui no meu quarto também existem coisas que podem matar – a lâmina no aparelho de barbear, a própria janela que gosto tanto. [...] há o revolver na gaveta, o vidro de comprimidos para dormir. Na cozinha, gás. No banheiro, aqueles vidros escuros de veneno. É fácil morrer. A toda hora, em todos os lugares, a morte está se oferecendo. Mais difícil é continuar vivendo. Eu continuo. Não sei se gosto, mas tenho uma curiosidade imensa pelo que vai me acontecer, pelas pessoas que vou conhecer, por tudo que vou dizer e fazer e ainda não sei o que será. Hoje parece impossível que eu tenha pensado aquilo.
Eu não me conheço. E tenho medo de me conhecer. Tenho medo de me esforçar para ver o que há dentro de mim e acabar surpreendendo uma porção de coisas feias, sujas. O que aconteceria, então? O orgulho de ter conseguido chegar perto do meu coração? Ou uma grande humildade, uma humildade de cão faminto, rabo entre as pernas, costelas aparecendo? Não sei, não sei – minha cabeça quase estala quando faço essas perguntas, meu pensamento escorrega, se desvia, foge pra longe, como se ele também tivesse medo da resposta. E talvez nem seja preciso coragem. Talvez seja necessário apenas um breve impulso, como aquele que me fazia mergulhar de repente na água gelada do açude da fazenda. E eu nem era corajoso por fazer isso, apenas tinha esquecido por um instante de mim, do meu corpo.”


Caio Fernando Abreu, "Limite Branco" - sem dúvida um dos 5 melhores presentes que ganhei na vida. Relendo pela, sei la, 15a. vez?


=*

Terça-feira, 7 de Julho de 2009

"But why would anyone want to do a thing like that?"

Crise. Profunda.




Segunda-feira, 6 de Julho de 2009

Preciso:


- Dados do Arnaldo, Isabela e Viviane.


- IPTU da época do óbito - para base de cálculo do imposto "causa mortis".


- Inventariante?


- Certidões negativas de impostos.


- Dividir os bens para o juiz homologar.


É assim e SOMENTE ASSIM que meu bloco cheio de divagações existenciais anda sendo preenchido ultimamente.


=(

Segunda-feira, 29 de Junho de 2009

Ando matando um leão por dia. A Cespe e a OAB anularam apenas 3 questões de umas 20 absurdas e eu só pude aproveitar uma, não alcançando os 50 pontos necessários para a segunda fase. Não desisto fácil e detesto injustiças. Impetrei um Mandado de Segurança contra a OAB e ganhei. Tenho direito a fazer a próxima prova da segunda fase sem ter que passar pela loteria da primeira fase novamente. Vitória.
Enquanto isso, tenho ganhado responsabilidades tão grandes no novo trabalho que até outro dia era capaz de jurar que diante delas, eu sairia correndo. Mas não foi o que eu fiz. Como disse, ando matando um leão por dia. E aprendendo. E conseguindo. Vitória.
Ando tão orgulhosa da minha força que ando até contente. Acho que este é um dos segredos - NÃO DESISTIR NUNCA.


Ps: Será que sou a única pessoa por aqui que ficou abaladíssima com a morte do Michael Jackson?

Terça-feira, 23 de Junho de 2009

Tenho tanto sentimento.

Tenho tanto sentimento
Que é freqüente persuadir-me
De que sou sentimental,
Mas reconheço, ao medir-me,
Que tudo isso é pensamento,
Que não senti afinal.

Temos, todos que vivemos,
Uma vida que é vivida
E outra vida que é pensada,
E a única vida que temos
É essa que é dividida
Entre a verdadeira e a errada.

Qual porém é a verdadeira
E qual errada, ninguém
Nos saberá explicar;
E vivemos de maneira
Que a vida que a gente tem
É a que tem que pensar.


[Fernando Pessoa - ele mesmo]

Sábado, 20 de Junho de 2009

"And those were the days of roses, poetry and prose..."


Eu amo Tom Waits com uma força que não consigo comunicar.
E é inacreditável que não conste nem no Youtube, nem nesses MP3tube da vida, "Martha".
Sou obrigada a postar um vídeo de um cover, foi a única coisa que eu achei. Malvásio não chega aos pés de Tom Waits. Damn.






And I was always so impulsive, I guess that I still am,
And all that really mattered then was that I was a man.
I guess that our being together was never meant to be.

Quinta-feira, 18 de Junho de 2009

Uma grande amiga, uma grande pessoa, quando terminou de ler Café com Diazepam – leitura esta que eu tenho certeza – contribuiu horrores para ela me oferecer um emprego, pois além da confiança que deposita em mim, encontrou ali certo talento – sentou-se comigo para conversar. Abraçou-me, disse que leu em duas horas e pouco, se emocionou e que eu era feliz por ter encontrado algo que poucos encontravam na vida: um talento. Disse que eu sabia contar histórias. Que todos tinham boas histórias para contar, mas que eu realmente sabia como contar uma. Sempre brincando que vai ser minha “agente”, disse também que se caso eu quisesse ser uma escritora de sucesso, deveria usar uma linguagem mais popular e palavras&sentidos menos rebuscados – engraçado, pois a intenção sempre foi usar uma linguagem pop naquilo – recebi críticas por isto também. Pop porque vivo rodeada disso. Músicas, filmes, moda, linguagem, enfim. De nada me adiantaria usar uma linguagem que não remeta a minha realidade. Não poderia escrever como um velho, antiquado, feio e de bigode. Disse a ela que ser Paulo Coelho não era minha meta de vida. Ela riu. Depois de tudo, disse-me que eu não deveria pensar tanto sobre as coisas, e sim realizar, viver. Naquele momento, discordei dela. Disse-lhe que já havia vivido desta forma, sem pensar muito nos porquês, mas que naquele momento tudo era diferente.
Agora, eu só acho que às vezes, nos afundamos num poço sem fim, e como muitas coisas, eu não sei a razão disso. Genesis já cantarolava brilhantemente em uma de suas canções: “You’ve got to get in to get out”. Foi isso que eu fiz, ao menos uma vez, coisa que poucos fazem. Eu entrei, fundíssimo. Eu cavouquei cada pedacinho de cada angústia, de cada dor. E só assim pude sair. Sair de verdade. Sair pra talvez, quem sabe, compreender, que por mais merda que aconteça, não só comigo, mas com tudo ao meu redor, o mundo continua girando, existindo. Os viras-latas continuam pedindo carinho, as pessoas continuam sorrindo. Vivendo. Continuando. Sobrevivendo. Sonhando. Caminhando.

Sim, Clarice tinha toda razão. “Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento”.


Segunda-feira, 15 de Junho de 2009

-Eu não entendo como uma pessoa pode querer se matar. Eu poderia perder tudo, marido, filhos, pais, tudo. A minha vida ainda justificaria a minha existência. Trabalharia de faxineira se fosse preciso.
- Os meus motivos fogem da sua compreensão, tenho certeza.
- Mas eu quero tentar entender, por favor, diga.
-Sentido, utilidade. A vida as vezes não é boa o suficiente para justificar nossa existência. E no meu caso, eu acredito que o sentido de minha vida seja utilidade.
- Mas o que é utilidade pra você?
- Algo grande.
-Caridade? Ajude as pessoas, então. Um médico salvando vidas? Vá ser médica. O presidente da ONU? Corre atrás.
- Nada disso, algo grande.
- O que então? O que alimenta sua visão romântica de salvadora do mundo?
- Se eu soubesse, saberia qual é o sentido. Saberia qual seta seguir. Mas já desisti há tempos. Sei que não posso mudar isso – o mundo que você diz. Já perdi esse romantismo. E me causa tanto desgosto, que a única coisa que me resta é morrer. Entendeu?
-Não.

Sábado, 6 de Junho de 2009

Ando folheando cadernos, cadernetas, rascunhos. Tento desesperadamente encontrar algo que escrevi ou alguma anotação que me faça entender alguma coisa. Como o guardanapo do Caio, em Dragões, com frases cheias de revelações como: “Os homens precisam da ilusão do amor da mesma forma que precisam da ilusão de Deus. Da ilusão do amor para não afundarem no poço horrível da solidão absoluta; da ilusão de Deus, para não se perderem no caos da desordem sem nexo.” Ou simplesmente a clássica “nada disso existe”.
Porque eu acho que é isso. As duas tragédias da nossa vida são o amor e deus.Ou a falta deles. A falta do amor que desespera quando ele não se concretiza. E a falta de deus, quando sua vida deixa de fazer sentido. Preciso de uma frase, de uma palavra, de um livro inteiro. Tem um nó na minha cabeça que não me deixa pensar. Tem a lembrança triste de uma mendiga chorando desesperadamente na Praça da Sé. Tem a lembrança feia do amigo tendo uma overdose. Tem a lembrança feia de constatar o horror nos olhos de quem eu amava. O mesmo horror deve habitar os meus olhos agora.
Mas por mais que eu procure… e conforme eu vá virando as páginas dos livros, menos eu entendo. Não entendo como diante de uma falta plena de sentidos não tenha coragem de acabar com tudo isso. Como a expectativa – sim, a expectativa – ou uma lembrança boa, talvez – não me permita.
Talvez o sentido esteja em ficar bêbada e dar uma boa trepada num sábado a noite.

Life is emptiness.